CUIDAR MELHOR DA HUMANIDADE: PRESERVANDO O FUTURO PELA SUSTENTABILIDADE SOCIAL
Giovanni Colares (*)
Giovanni Colares (*)
O cuidado é a função mais importante que o ser humano deve desempenhar na vida e pode ser visto em duas preocupações fundamentais: preservar e manter (dar sustentabilidade) os seres vivos e as estruturas que dão suporte aos mesmos.
Muito se fala, desde os últimos 30 anos, sobre os cuidados que devemos ter com os animais e plantas que constituem o meio ambiente, o que se chama ecossistema, no entanto é necessário, cada vez mais, que o ser humano se preocupe com o semelhante, pois além de nos preocuparmos com os ideais da ecologia precisamos nos envolver e procurar soluções para as pessoas que vivem à nossa volta.
Há vários fatores que podem ser vistos como preocupantes, no entanto em três áreas do cuidar se firmam as bases nas quais as pessoas podem se desenvolver melhor ou – na falta de boas possibilidades – criam-se dificuldades que interferem no viver e até na sobrevivência dos mais pobres. Estas áreas são: a educação, a saúde e a habitação.
A educação é a base social de toda a humanidade. Se evoluímos dos tempos das cavernas, da idade da pedra para a atualidade, com um mundo repleto de aparelhos tecnológicos: certamente deve-se ao desenvolvimento do conhecimento humano, refletindo-se pelos constantes esforços de educação que surgiram a partir do século XVIII, no chamado movimento do Iluminismo. A educação precisa ser cada vez mais melhorada e colocada sob a conscientização de que não é apenas uma função a ser exercida sob o âmbito da escola, pois pais e responsáveis devem estar cientes de seus papéis de educadores, agindo com responsabilidade e constância, na busca de dar às crianças uma educação integral, transmitindo para esses conceitos que vão além do conhecimento puro e coloquial, é preciso despertar para os valores sociais, religiosos, culturais e até mesmo particulares como os desenvolvidos pela cultura familiar, tais como as histórias, os marcos importantes e as lições que deve ser aprendidas para não serem repetidas...
A própria educação desenvolve o pensamento da sustentabilidade e da preservação, não somente nos aspectos mais abstratos da cultura (como as artes e o pensamento científico), mas também pelo cuidado despertado nas pessoas como aconteceu desde a conscientização da preservação ambiental, ou mesmo da cultura local (preservação de prédios e demais estruturas arquitetônicas de cidades históricas, por exemplo).
Também o desenvolvimento do pensamento mais preventivo nas doenças transmissíveis é um exemplo de como diferentes áreas se entrelaçam na finalidade de preservar a própria humanidade de ameaças fortes como as endemias e pandemias que vêm ocorrendo principalmente desde a segunda metade do século XX, aliás a área de saúde é uma nas quais mais se deve investir esforços e recursos financeiros para dar uma excelência de vida para a população de um país. Somos frágeis por natureza e precisamos sempre nos cuidar em todas as fases de nossa vida, uma educação orientada para a boa alimentação e os cuidados básicos de higiene e saúde são uma importante base para a preservação da vida e a sustentabilidade de um padrão de saúde mais elevado muito necessário, principalmente nos países e locais mais pobres do planeta.
Muitos sofrem por toda a vida pela falta de cuidados elementares durante a primeira infância, outros, mesmo que tenham sido bem cuidados, passam por interferências no curso normal da vida em função de fenômenos naturais (como terremotos, enchentes, desabamentos em áreas de risco) e precisam de uma assistência imediata e eficaz, pois acabam transformando-se em vítimas perenes de situações que após terem sido oficialmente resolvidas produzem consequências que podem ser desenvolvidas ao longo de toda uma vida, possivelmente atingindo gerações posteriores.
Na saúde há uma necessidade de construção e manutenção de estruturas de atendimento, como hospitais, clínicas e postos de saúde, além do desenvolvimento de programas de atendimento direto em residências de difícil acesso tais como cidades ribeirinhas e outras que não têm estrutura de transporte adequada para se chegar facilmente às cidade de médio porte de um determinado estado da federação.
Aliar a educação à área de preservação e sustentabilidade da saúde é também uma excelente estratégia que faz somar os esforços estruturais e políticos (função de governo) com a dos próprios indivíduos. Um povo que é mais desenvolvido na educação certamente tem menor probabilidade de ser atingido por doenças que podem ser facilmente evitadas com cuidados básicos. Isto implica, também, em economia de recursos financeiros, uma vez que – é sabido de todos – gasta-se muito mais para remediar do que para prevenir.
Esta educação não deve ser expectativa de que seja procedida apenas pelo estado, também é um fator que pode e deve ser desenvolvido pelas famílias. O grande problema é que muitas pessoas (certamente uma grande maioria) ainda sofre da falta de informação e de formação educacional por conta da realidade ainda presente em nossa sociedade devido ao atraso na adoção da educação por toda a população, mas é algo em superação e aqueles que tem uma melhor conscientização e formação adequada devem ser responsabilizar por transmitir aos que estão sob a sua tutela a preocupação e os atos efetivos para se evitar doenças transmisíveis ou para se desenvolver hábitos saudáveis de alimentação, higiene e prática de atividades físicas.
A habitação é outra preocupação que deveria ser mais levada a sério pelas pessoas e pelos dirigentes do poder público, uma vez que também esta influencia não apenas no conforto, mas também na saúde.
Infelizmente, chega-nos pela imprensa ou pelo relato das pessoas que viajam aos mais distantes recantos de nosso país imagens e notícias deprimentes de pessoas que vivem em ambientes sub-humanos, palafitas sobre rios, casa que se assentam sobre terrenos onde antes se acumulava lixo, ou ainda conjuntos habitacionais cuja infra-estrutura de saneamento nunca é desenvolvida corretamente, ficando seus habitantes expostos a verdadeiros canais de esgoto a céu aberto, trazendo o acúmulo de sujeiras e desenvolvimento de microorganismos perigosos e até mesmo a presença de animais que concorrem com o alimento e o abrigo de crianças, onde passam a conviver como se fora em um ambiente primitivo e selvagem, onde as pessoas passam a vive como se fossem animais!
As políticas de habitação precisam levar em conta o novo mapeamento do próprio país na realidade em que os grandes centros produtores economicamente atrativos (no Brasil constituem-se pelas capitais e na maioria espalhados ao longo do litoral) que conglomeram grandes populações atraídas pela oportunidade de empregos ou de empreendimentos de pequeno porte na qualidade e autônomos de pequenos comércios ou na prestação de serviços.
Apesar das dificuldades alegadas, em função do grande crescimento causado pela constante migração para estes pólos econômicos, há que se considerar a possibilidade de se utilizar o conhecimento para o desenvolvimento de alternativas de construção para estas áreas, além de ser responsabilidade efetiva dos governos locais evitar o assentamento de famílias de pobreza em áreas de alto risco como beiras de rio e encostas instáveis.
O uso de materiais alternativos, como por exemplo das garrafas de PET largamente utilizadas como embalagens de refrigerantes e outros líquidos, é uma forma de se cuidar não só do lixo de difícil degradação natural (levam séculos para voltar à forma natural, por serem feito de polímeros) com base ou mesmo estrutura de construção. Têm sido feitas experiências de bom êxito com a construção de casa e estruturas sociais (escolas, centros sociais) com garrafas de refrigerantes que mostram a possibilidade de se aliar a responsabilidade ambiental com soluções sociais requeridas na complexidade dos grandes centros urbanos.
É pois necessária, qualquer que seja o âmbito de atuação sociais que o ser humano deseje empreender, a disponibilidade para se utilizar os conhecimentos (tecnologia, ciência, experiência do passado) aliados às atitudes construtivas e ousadas que sempre estiveram presentes no desenvolvimento das sociedades, tais quais criatividade, ousadia, responsabilidade e principalmente o aspecto individual da boa vontade.
Como cidadãos responsáveis e conscientes, devemos nos empenhar na busca de soluções adequadas e no constante renovar da meta de permitir que todos tenham acesso ao que é fundamental e que possam ter a possibilidade de desenvolver-se em ambiente adequado, com potencial oferecido para todos (pela educação) com a disponibilidade física em harmonia e saúde.
Não é um pensamento ideológico ou uma postura que seja colocada para uma projeção pessoal no meio familiar ou no aspecto da política partidária, antes é um dever fundamental do ser humano preservar o meio em que vive e os que são seus semelhantes, é uma questão de justiça e de empenho na manutenção e evolução da própria natureza humana empreendida pelos seus membros, o que pode-se chamar de solidariedade natural, também um fator de plenitude espiritual pela ação, uma vez que somos parte e agentes de preservação (cuidadores) da Criação.
(*) Giovanni Colares é professor universitário nas áreas de Estratégia, Gestão de Processos Gerenciais, Marketing e Recursos Humanos, também atua como escritor nas áreas de: teologia, educação, cultura e administração; na área social atuou como presidente da (Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento), tendo exercido dois mandatos de presidente no pólo Ceará da referida Organização Não Governamental.
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